Relógios Mecânicos
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Artigo | Curiosidades

O que realmente significa “Adjusted to Temperature, Isochronism and Five Positions”

por

Flávio Maia, julho de 2026

Desde os tempos do Fórum Relógios Mecânicos, e hoje quase toda semana nas redes, chega a mesma mensagem. Às vezes é pergunta: “meu relógio adianta cinco segundos por dia, isso é bom?” Mais frequentemente é afirmação, e vem com certo orgulho: “meu relógio adianta só dois segundos por dia no uso, muito melhor que vários cronômetros certificados”. E eu normalmente respondo que não posso afirmar nada sobre o relógio a partir da marcha diária em uso. Nem que ele é bom, nem que é ruim, nem que é preciso. Aquele número, isolado, é quase informação nenhuma.

Para dizer se um relógio é de fato preciso eu necessitaria de outras coisas: a marcha em cada uma das posições possíveis, a amplitude do balanço em cada uma delas, os mesmos dados tomados com corda cheia e depois com a corda já descarregando, o erro de abertura de escape e, se quisesse ser rigoroso, o comportamento em temperaturas diferentes. Um punhado de números, não um. E a razão pela qual isso soa exagerado para quem pergunta é que existe uma confusão de vocabulário que atravessa o hobby inteiro: a diferença entre precisão e exatidão.

O primeiro texto que li tratando disso a sério foi publicado no TimeZone em 2002, escrito por Walt Odets, e li na publicação original. Confesso que na primeira leitura me perdi. Era uma série em quatro partes sobre a troca do calibre 884 de um IWC Mark XII por um 887 de um Ingenieur e o ajuste subsequente do escapamento, cheia de tabelas de amplitude, marcha e erros de abertura, e eu não tinha repertório para entender o que aquelas colunas de números significavam. Reli anos depois e percebi que estava diante de uma das melhores peças já escritas sobre o assunto — não porque Odets ensinava alguém a ajustar um relógio, mas porque fazia exatamente o contrário: mostrava, passo a passo, o tamanho da dificuldade. Ele dedicou mais de cinquenta horas ao escapamento de um movimento que, saído da fábrica, já era excelente! Odets começa a segunda parte da série dizendo que nenhum assunto é tão mal compreendido entre colecionadores quanto o ajuste, e que a ideia de que um relógio é “mais exato” que outro porque adianta dois segundos em vez de oito é uma forma ingênua de julgar tanto a qualidade quanto o ajuste de um relógio. Pior: por esse critério, relógios não ajustados frequentemente parecem melhores que relógios plenamente ajustados. Raramente são.

E é isso que abordarei aqui. Não como ensinar a ajustar, que não é assunto para texto e sim para bancada, microscópio e anos de prática, mas como entender o que está em jogo — e, principalmente, o que uma marca está dizendo quando grava, na platina de um movimento, aquela fórmula antiga: adjusted to temperature, isochronism and five positions.

Comecemos pelo vocabulário, que é onde mora o equívoco. Adriano Passarelli abre o capítulo sobre precisão dos relógios em Horologia para Apressados pelo caminho certo, que é o da metrologia. Exatidão é o quanto o valor de uma medição se aproxima do valor ideal; precisão é o quanto duas ou mais medições se aproximam entre si. Uma é proximidade da verdade, a outra é consistência. São independentes: um relógio exato pode não ser preciso, e talvez nunca venha a ser; um relógio preciso sempre pode ser tornado exato.

O exemplo que ele usa é didático e vale repetir em outros termos. Dois relógios são acertados com a hora certa. Vinte e quatro horas depois, o relógio A está adiantado dois segundos e o relógio B, dezoito. O leitor médio já premiou o A. Mas suponha que se saiba o que aconteceu no meio do caminho: o A atrasou dezesseis segundos ao longo de dez horas e adiantou dezoito nas catorze restantes, chegando aos +2 por cancelamento de erros; o B adiantou nove segundos nas primeiras dez horas e nove nas seguintes. O A é exato por acidente e completamente imprevisível. O B é previsível, e é por isso que ele pode ser corrigido: basta desacelerar a marcha e ele passa a ser, ao mesmo tempo, preciso e exato. O A não tem correção possível pela raquete, porque o problema dele não é estar rápido — é ser errático.

Donald De Carle, em Practical Watch Repairing, diz a mesma coisa da bancada. Para ele, uma boa marcha não é a marcha pequena, é a marcha que não se afasta de si mesma: um relógio que adianta quinze segundos hoje deve estar trinta amanhã e quarenta e cinco depois de amanhã, e ele considera boa uma marcha que não se desvie mais de três segundos da anterior. O relógio que adianta quinze, atrasa quinze e adianta quinze de novo terminará a semana mais próximo da hora certa mas é, sem dúvida alguma, o pior dos dois.

Isso não é filigrana de manual. É a discussão que quase custou a Harrison o prêmio da longitude. Na viagem do H4 à Jamaica, em 1761-62, o número que ficou para a posteridade — 5,1 segundos de erro em pouco mais de oitenta dias — não é o desvio que se leria no mostrador ao desembarcar. O desvio bruto foi de aproximadamente três minutos e trinta e oito segundos. Os 5,1 segundos são o que resta depois de se aplicar a marcha diária conhecida do instrumento, algo em torno de dois segundos e meio de atraso por dia, computada antes da partida. Harrison estava tecnicamente correto: um relógio que atrasa exatamente um minuto por dia serve perfeitamente para achar a longitude, desde que atrase sempre exatamente um minuto. Foi precisamente esse ponto que Nevil Maskelyne usou para dizer que o teste havia sido corrompido, porque uma marcha havia sido aplicada ao resultado. A Comissão nunca publicou os números oficiais e nunca explicou a decisão. Arnold e Earnshaw, depois, herdaram a mesma briga sob outras formas. Dois séculos e meio antes de existir cronocomparador eletrônico, o que se disputava ali era o que ainda se disputa nas mensagens que eu recebo: se o que importa é o erro ou a constância do erro.

Guardem a ideia seguinte, porque tudo o que abordarei depende dela. Ajuste é a busca da constância. Regulagem é o acerto do erro. São operações diferentes, feitas com ferramentas diferentes, e a segunda só faz sentido depois da primeira.

Para entender por que a constância é tão difícil de obter, é preciso olhar de perto a peça que produz a oscilação. Todo relógio mecânico é a mesma máquina: uma fonte de energia (a mola principal), um trem de rodagem que a transmite e a divide, um distribuidor de energia (o escapamento), um regulador que impõe o ritmo e um mostrador que conta o resultado. O regulador é o coração da questão. Em relógios de pedestal é o pêndulo; em relógios de pulso, o conjunto balanço-espiral.

O balanço é uma roda fixada a um eixo que pivota entre dois rubis, embaixo na platina e em cima na ponte do balanço. A espiral é uma fita de metal de seção retangular enrolada, tipicamente com doze a quinze voltas. Sua extremidade interna é presa à virola, um pequeno tubo fendido cravado no eixo do balanço, que gira com ele; a externa é presa ao pitão, que por sua vez é fixado ao porta-pitão, na ponte. Entre o pitão e a virola, a espiral atravessa dois pinos do regulador — a raquete — que funcionam como uma morsa aberta e definem, na prática, onde termina o comprimento ativo da mola. Mover a raquete altera esse comprimento e, com ele, a frequência. Isso é regulagem, e é tudo o que a raquete faz.

O balanço oscila porque, deslocado do repouso, a espiral se enrola ou se desenrola e cria um torque restaurador que o traz de volta; ele passa do ponto de equilíbrio por inércia, é freado do outro lado, e volta. O período depende de duas grandezas: o momento de inércia do balanço e o torque elástico da espiral. Toda a engenharia do ajuste consiste em manipular essas duas grandezas — ou em impedir que o mundo as manipule por conta própria.

Aqui aparece a diferença entre o pêndulo e o balanço, e ela é contraintuitiva. O pêndulo, teoricamente, não é isócrono: a força restauradora é proporcional ao seno do ângulo, não ao ângulo, de modo que o período cresce com a amplitude. É por isso que, em relojoaria de precisão de pêndulo, se persegue amplitude pequena e sobretudo amplitude constante— o problema é contornado por fora. O balanço-espiral, ao contrário, é teoricamente isócrono: se a espiral obedecesse à lei de Hooke com perfeição, o torque restaurador seria estritamente proporcional ao deslocamento e o período seria o mesmo qualquer que fosse a amplitude. O relógio de pulso nasceu, portanto, com uma vantagem teórica sobre o relógio de pedestal.

O Theory of Horology, livro-texto do WOSTEP, enuncia isso mas ressalta: na prática não é assim, por causa das inúmeras dificuldades de fabricar um sistema perfeito e do contato com o escapamento. E define a arte do ajuste como a neutralização desses defeitos.

Quem já olhou o movimento de um bom relógio antigo — americano de bolso, sobretudo, mas também suíço de alta relojoaria da primeira metade do século XX — conhece a gravação. Em Pateks antigos ela aparece assim: Three (3) Heat Cold Isochronism / Adjusted Five (5) Positions. Em outros, condensada: Adjusted to temperature, isochronism and five positions. Em outros ainda, apenas um número: 8 Adjustments.

Oito ajustes normalmente significam calor, frio, isocronismo e cinco posições. Nove, que a Elgin gravou nos últimos exemplares do calibre 571 justamente para acabar com a ambiguidade, significam calor, frio, isocronismo e seis posições. E a razão de o número cinco ter se tornado um patamar tem origem prática: a partir de meados da primeira década do século XX, as ferrovias americanas passaram a exigir ajuste em cinco posições para os relógios usados em serviço. Não era marketing, era requisito de segurança operacional — trens em via única se cruzavam com base em horário.

O que aquela frase promete, então, é o seguinte: que alguém pegou este movimento, mediu-o em condições padronizadas e trabalhou nele até que seu comportamento fosse consistente diante de três coisas que atrapalham qualquer oscilador — a temperatura ambiente, o estado de carga da mola e a posição em que o relógio é usado. Não se promete que o relógio mostrará a hora certa. Promete-se que ele errará de maneira previsível.

Comecemos pelo isocronismo. A definição formal, no vocabulário do WOSTEP, é a tendência de um fenômeno a se repetir em intervalos iguais, independentemente das influências externas a que esteja submetido. Mas os relojoeiros usam a palavra num sentido mais estreito e mais útil: isócrono é o oscilador cujo período não muda quando a amplitude muda.

E a amplitude muda, sempre. Ela é o ângulo total de deslocamento do balanço a partir do repouso, medido em graus, e ela é a variável que governa quase tudo. Em termos generalistas, algo entre 270 e 320 graus nas posições horizontais é considerado saudável em um movimento limpo e recém-lubrificado; abaixo de 220 graus há, na melhor das hipóteses, necessidade de revisão. Mas vale a ressalva que Passarelli faz e que quase nunca se ouve: arquiteturas diferentes, escapamentos diferentes e configurações diferentes de tambor de corda e reserva de marcha implicam regimes de amplitude diferentes. O que num calibre é sinal de problema, em outro é absolutamente normal.

Quatro coisas fazem a amplitude variar, e todas as quatro conspiram contra o isocronismo.

A primeira é a mola principal. Com corda cheia ela entrega torque máximo; vinte e quatro horas depois, entrega menos. Projetistas mitigam isso alongando a reserva de marcha muito além das vinte e quatro horas de uso — De Carle já dizia que um relógio de vinte e quatro horas deve rodar pelo menos trinta e seis — ou usando dois tambores de corda, mas a diferença não desaparece. Em relógios automáticos há um agravante peculiar: a brida deslizante agarra a parede do tambor, o torque sobe até ela escorregar uma fração de volta, o torque cai, e o ciclo se repete. Se ela escorrega prematuramente, a amplitude oscila sozinha. É por isso, aliás, que se recomenda dar corda total e voltar um quarto de volta da rochet antes de medir a amplitude: com a mola no limite da brida, a leitura não é confiável.

A segunda é o atrito nos pivôs do balanço, e essa é a conexão entre isocronismo e posições. Na horizontal, a ponta de um único pivô se apoia verticalmente sobre a contrapedra: atrito mínimo. Na vertical, os dois pivôs passam a se apoiar lateralmente nos rubis, numa área muito maior: atrito consideravelmente maior, amplitude menor. Fabricantes tentam equalizar isso dando ao pivô um perfil que aumente artificialmente o atrito na horizontal, mas apenas atenuam o efeito.

A terceira é o próprio escapamento. A cada vibração ele desbloqueia e impulsiona, e o Theory of Horology decompõe o percurso do balanço em ângulos: o desbloqueio, que ocorre antes do ponto de repouso e faz o relógio atrasar; o impulso antes do repouso, que faz adiantar; o impulso depois do repouso, que faz atrasar. Somados, o escapamento sempre atrasa o relógio. E como o ângulo de levantamento é constante, sua influência relativa cresce quando a amplitude cai. Ou seja: quanto menor a amplitude, maior a perda imposta pelo escapamento.

A quarta são os pinos do regulador. A espiral nunca pode ficar comprimida entre os pinos, mas também nunca há folga zero. Se em repouso ela está no centro do vão, o comprimento ativo se estende até o pitão e há perda máxima; à medida que a amplitude cresce, a espiral toca os pinos durante uma fração maior do ciclo e a perda diminui. Se em repouso ela toca um dos pinos, o comportamento se inverte em parte do percurso. Em qualquer dos casos, o resultado é que o comprimento ativo da espiral — e portanto a frequência — depende da amplitude. É exatamente a definição de erro de isocronismo, produzida pela peça que existe para regular o relógio.

Daí decorre a estratégia central do ajuste: como o escapamento e os pinos atrasam mais nas amplitudes baixas, o relojoeiro procura criar, em outro lugar do sistema, um ganho nas amplitudes baixas que compense essa perda. Não se elimina o defeito. Cria-se um defeito para corrigir outro.

A medição disso é padronizada. A norma NIHS define o erro de isocronismo como a diferença, em segundos por vinte e quatro horas, entre a marcha instantânea com corda cheia e a marcha vinte e quatro horas depois, na mesma posição; mede-se nas quatro verticais e toma-se o maior valor absoluto. De Carle, escrevendo antes dessa padronização, propunha um método artesanal mais fino: observações a cada três horas ao longo do ciclo, com atenção especial às três primeiras e às três últimas. O protocolo moderno é mais econômico e serve ao mesmo propósito.

Existe uma solução de projeto para o problema, e ela é antiga: equalizar a força que chega ao trem, em vez de corrigir seus efeitos. O fusée (caracol) com corrente fez isso por séculos; o remontoir d’égalité faz isso hoje, rearmando uma pequena mola auxiliar em intervalos regulares. Bons cronômetros de marinha mecânicos usavam esse recurso, e ele importava especialmente ali porque um cronômetro de marinha vive numa suspensão cardânica e praticamente não muda de posição — para ele, o erro de isocronismo é o erro fundamental. Em um relógio de pulso, esses mecanismos consomem espaço e complexidade que só se justificam em peças especialíssimas.

A temperatura vem em seguida, e sua história é a mais antiga das três. O aço, de que as espirais foram feitas por quase dois séculos, é um material péssimo para essa função e por dois motivos simultâneos: aquecido, ele se alonga, o que aumenta o comprimento da mola; e, mais importante, perde rigidez, o que reduz o torque restaurador. As duas coisas fazem o relógio atrasar no calor.

Harrison foi quem estabeleceu o princípio da compensação. A lâmina bimetálica — duas tiras de metais com coeficientes de dilatação diferentes soldadas uma à outra, de modo que a variação de temperatura as force a se curvar — aparece na sua obra como dispositivo para agir sobre o comprimento ativo da espiral conforme o termômetro subisse ou descesse. O H4 levava um arranjo desse tipo, e há uma ironia documentada na história: quando Harrison finalmente declarou a marcha do relógio à Comissão, precisou admitir que ela variava com a temperatura, de um ganho de cerca de três segundos por dia a quarenta e dois graus Fahrenheit a uma perda de um segundo a oitenta e dois. Mesmo o instrumento que resolveu a longitude não havia solucionado definitivamente a questão da temperatura.

A solução que se consolidou no século XIX foi outra, e atacava o outro lado da equação. Se o torque da espiral cai com o calor, que se reduza o momento de inércia do balanço na mesma proporção. Daí o balanço bimetálico cortado: o aro feito de latão e aço fundidos juntos, seccionado, com cada meia-lua livre para se deformar. No calor, o latão — mais dilatável — fica na face externa e encurva a meia-lua para dentro, aproximando massa do centro e reduzindo o momento de inércia. No frio, o inverso. Em teoria, sem alterar o equilíbrio do balanço. Os balanços integrais do tipo Guillaume levavam ainda parafusos ou blocos de inércia ao redor do aro, e o ajuste térmico se fazia deslocando esses parafusos para as porções do aro que se movem mais, ou menos, com a temperatura. Era isso, literalmente, o que significava “ajustado no calor e frio”: um relojoeiro movendo parafusos de meio milímetro em um aro cortado, com o relógio sendo levado a oito, vinte e três e trinta e oito graus entre cada tentativa.

Não bastasse o cansativo trabalho, havia outro problema. A compensação bimetálica é linear e o erro que se quer corrigir não é: um balanço perfeitamente compensado nos dois extremos de temperatura erra na temperatura média. Isso tem nome — erro secundário, ou middle temperature error — e é definido como a diferença entre a marcha na temperatura média e a média das marchas nas temperaturas extremas. Tentar solucionar esse problema foi o que levou Charles-Édouard Guillaume a criar, em 1912, a liga elinvar. Guillaume, aliás, ganhou o Nobel de Física de 1920 pelos estudos que resultaram nas ligas invar e elinvar.

Hoje todos os balanços são anulares, feitos em cobre-berílio (glucydur) nos melhores casos, e a compensação migrou inteiramente para a espiral. As ligas modernas são complexas — ferro, carbono, níquel, cromo, tungstênio, molibdênio, berílio, nióbio, e o segredo está tanto na composição quanto nos processos metalúrgicos de endurecimento — e são autocompensadoras por um efeito duplo: a temperatura e a magnetostrição agem em sentidos contrários sobre o módulo de elasticidade do metal. Nas melhores qualidades, o coeficiente de temperatura fica em torno de 0,6 segundo por grau em vinte e quatro horas. O silício, mais recentemente, vai além: praticamente imune a campos magnéticos e, com camada de óxido de silício, termicamente compensado por construção.

O que isso significa na prática é direto: não se ajusta mais um relógio para temperatura. Escolhe-se um material e se testa. O COSC mede o coeficiente — máximo de 0,6 segundo por grau Celsius para movimentos acima de vinte milímetros — mas essa é uma verificação de qualidade de material, não de trabalho de bancada. A palavra temperature sobreviveu na inscrição, e em toda a linguagem da cronometria, apenas como tradição.

Restam as posições, e aqui o trabalho manual do relojoeiro ainda é insubstituível.

A padronização é simples. Duas posições horizontais: mostrador para cima e mostrador para baixo. Quatro verticais, nomeadas modernamente pela hora que fica no alto — 3H, 6H, 9H e 12H —, que correspondem à antiga nomenclatura de coroa para cima, coroa para a esquerda, coroa para baixo e coroa para a direita. A hierarquia entre elas não é arbitrária: decorre da frequência com que cada uma ocorre no uso real e é universalmente aceita por relojoeiros e fabricantes. Para um relógio de pulso usado no braço esquerdo, mostrador para cima é a posição da noite — pode ser metade do tempo de funcionamento do relógio — e coroa para baixo é a posição do braço pendendo ao caminhar. Depois vem coroa para a esquerda, que é o braço apoiado na mesa ou no braço da poltrona. Coroa para a direita normalmente não é ajustada, salvo para quem usa o relógio na face interna do punho direito.

Por que a posição altera a marcha? Já vimos o primeiro motivo: o atrito dos pivôs cai na horizontal e sobe na vertical, a amplitude cai na vertical. Isoladamente, esse efeito tende a atrasar o relógio, porque o ângulo de levantamento do escapamento, fixo, pesa proporcionalmente mais sobre um arco mais curto. De Carle chama isso de erro natural e o quantifica de cara: cerca de trinta segundos de atraso entre horizontais e verticais em um relógio ao qual nada foi feito.

Mas há dois motivos mais interessantes.

O primeiro é o desequilíbrio do balanço, o ponto pesado. Um balanço fora de equilíbrio estático, numa posição vertical, tem um excesso de massa que ora empurra, ora resiste, e o efeito sobre a marcha depende de onde esse excesso está em relação ao eixo e, crucialmente, de quanto é a amplitude. Um ponto pesado abaixo do eixo produz ganho máximo nas amplitudes baixas; um ponto pesado acima produz perda nas baixas, ganho nas altas, e um cruzamento em que o efeito se anula por volta dos 220 graus. Esse número é a razão pela qual, para encontrar um ponto pesado, se traz deliberadamente a amplitude para a faixa de 160 a 180 graus: é lá que o defeito aparece mais facilmente. A correção clássica é retirar material do aro no ponto pesado até que as quatro posições verticais se aproximem, e ela hoje é feita de forma inteiramente automatizada nas grandes manufaturas.

O segundo é a espiral. Jules Grossmann, relojoeiro de Le Locle, descreveu no fim do século XIX o que hoje se chama de efeito Grossmann. A virola é o centro geométrico da espiral, mas nunca o seu centro de gravidade: como a primeira meia-volta é menor que a segunda, que é menor que a terceira, o centro de gravidade está sempre deslocado em direção às espiras externas, e se desloca mais na expansão do que na contração. Numa posição vertical, esse centro de gravidade deslocado age exatamente como um balanço desequilibrado, com todas as consequências. E, como o desequilíbrio, é previsível: entre as quatro posições verticais, o relógio acelerará em uma, desacelerará em outra e ficará estável nas duas restantes, dependendo de onde a espiral sai da virola em relação ao pitão.

A espiral ainda esconde outro problema, descrito por Caspari, que não vem do deslocamento de massa como o de Grossmann, mas da sua própria elasticidade: a cada oscilação a espiral se expande e se contrai, e essa “respiração” também não é perfeitamente uniforme. Em relógios de pulso esse efeito costuma influenciar até mais que o de Grossmann. E é justamente esse mesmo ponto, onde a espiral sai da virola em relação ao pitão, que resolve os dois problemas ao mesmo tempo. É o chamado ponto de fixação, o “point of attachment”, a variável mais poderosa de todo o ajuste posicional. Odets narra, na terceira parte do artigo citado, que o ponto de fixação típico dos movimentos Jaeger-LeCoultre, e dos IWC derivados deles como o 887, produz erro moderado e de magnitude semelhante nas quatro posições verticais: coroa para baixo ligeiramente lenta, coroa para a esquerda e coroa para cima ligeiramente rápidas, coroa para a direita ligeiramente lenta. E registra a ordem de grandeza que interessa: em um relógio de boa qualidade, a escolha correta desse ponto, sozinha, já deve trazer as marchas verticais para dentro de oito a quinze segundos por dia em comparação às horizontais. Todo o resto, o material da espiral, a qualidade dos pivôs, o acerto dos pinos, serve para reduzir esses últimos oito a quinze segundos que sobram.

Analisada a questão do isocronismo e as influências da temperatura e da posição sobre a marcha, resta a pergunta prática: como se ajusta um relógio, de fato, e em que ordem. Antes de qualquer coisa, é preciso separar duas palavras que o hobby usa como sinônimas e não são. Regulagem é a alteração da marcha para acelerá-la ou desacelerá-la: mexer na raquete, ou alterar o momento de inércia num balanço de inércia variável, em relógios free sprung. É rápida, é reversível e não melhora nada além do valor absoluto. Ajuste é o conjunto de procedimentos feitos no mecanismo para que ele se comporte de maneira consistente: acerto de folgas axiais, penetração das paletas do escapamento, equilíbrio do balanço e, principalmente, o trabalho na espiral e no seu regulador, garantindo planicidade e concentricidade para que ela se contraia e expanda o mais uniformemente possível. Um relógio bem regulado pode ser péssimo. Um relógio bem ajustado é bom mesmo quando está adiantando.

Há um adágio de bancada, antigo e correto, que Odets cita: “uma boa marcha começa na mola principal”. O ajuste do escapamento não corrige nada que venha errado de trás. E, sem boa amplitude, não há manipulação na espiral que melhore um relógio.

Por isso todo protocolo sério começa com uma inspeção. Não deve haver magnetização. O trem tem que estar completamente livre, com folgas normais. O escapamento tem que estar corretamente ajustado, com as folgas verificadas nas duas horizontais. A espiral tem que estar centrada e plana, na virola e na ponte. O vão dos pinos do regulador tem que estar paralelo e o menor possível, sem apertar a espiral. O escape deve estar com a abertura correta. O movimento tem que estar limpo e recém-lubrificado. E a amplitude, conforme ensinamento do WOSTEP, deve partir da ordem de 270 graus na horizontal e 250 na vertical. De Carle, escrevendo setenta anos antes, era mais tolerante e falava em algo próximo de 260 e 225.

Cumprida a inspeção, o que existe é um repertório curto de intervenções, e o que torna o ofício difícil não é a quantidade de opções e sim o fato de que quase todas interferem umas nas outras.

Corrige-se a abertura do escape, alinhando o pino de impulso ao eixo balanço-âncora, o que é trivial se houver porta-pitão móvel e uma operação delicada se não houver. Vale registrar que o erro de abertura de escape é, entre todos, o menos grave: o WOSTEP trabalha com tolerância de meio milissegundo, a prática corrente não se preocupa muito abaixo de um milissegundo, e vários relojoeiros práticos me disseram a mesma coisa — na vida real, um erro de “batida” moderado só afeta a capacidade do relógio de dar partida sozinho.

Corrige-se o equilíbrio do balanço: localiza-se o ponto pesado do aro e retira-se material dali. É uma única correção, feita num só lugar do balanço, e seu efeito aparece ao mesmo tempo nas quatro posições verticais, não numa de cada vez.

Trabalha-se o ponto de fixação, quando é possível — e é aqui que o século XX se separou do século XXI, sobre o que volto adiante.

Acerta-se a abertura dos pinos do regulador comparando a marcha das horizontais com a das verticais. Essa abertura afeta todas as posições ao mesmo tempo.

É um erro comum, aliás, confundir as duas coisas até na prática. Adriano Passarelli, autor de Horologia para Apressados, me contou que já viu colegas de bancada tentando “ajustar posições” girando a raquete com o relógio na vertical — o que não é ajuste nenhum, é regulagem malfeita, e não corrige coisa alguma além do valor absoluto naquele instante.

Trabalha-se a curva terminal, se houver “overcoil”, aproximando-a ou afastando-a do centro para agir sobre as verticais e sobre o isocronismo.

E há, na literatura mais antiga, um punhado de técnicas que hoje soam arcaicas: introduzir fricção nas horizontais alterando o formato do pivô do balanço ou ajustando os rubis; explorar a força centrífuga abrindo os furos dos parafusos do aro (quando existem) para que os braços se lancem para fora nos arcos longos; lançar deliberadamente o balanço fora de equilíbrio para salvar uma posição vertical, etc.

A frase que resume tudo isso está no manual do WOSTEP e é, na minha opinião, a melhor definição de ajuste já escrita: a técnica consiste em levar em conta fatores que às vezes têm efeitos contraditórios e fazer com que os defeitos impossíveis de eliminar se compensem mutuamente. Não existe ajuste que corrija. Existe ajuste que equilibra defeitos que existem e existirão sempre.

E é por isso que ninguém acerta de primeira. A narrativa de Odets sobre o 887 é o melhor documento disso que eu conheço, e recomendo a leitura a qualquer um que ache que ajustar relógio é apertar parafuso. Ele desmonta, limpa e lubrifica; regula; a diferença entre mostrador para cima e para baixo piora. Abre um dos pinos do regulador, desmagnetiza, regula de novo; piora outra vez. Sobe o pitão no porta-pitão um décimo de milímetro; nada. Deixa o relógio assentar a noite inteira, dá corda cheia e encontra números piores que antes. Pole o pivô inferior com rouge de joalheiro; altera o rubi do antichoque no pivô superior porque a gota de óleo original estava pequena demais e ele quer aumentar o atrito ali para igualá-lo ao de baixo; reforma a espiral com pinça número 5 e agulha, com o balanço instalado, sabendo que a ponte esconde parte do que ele precisa ver. Perto do fim, descobre que ao mexer no trecho da espiral percorrido pela raquete havia deformado o pino de latão sem perceber, mesmo tendo usado um microscópio com trinta e cinco vezes de aumento. Burne a face interna do pino do regulador. Abre de novo. Fecha de novo…

Depois de dezesseis intervenções documentadas e mais de cinquenta horas, o resultado: todas as posições ajustadas dentro de dois segundos umas das outras, e as três posições importantes — mostrador para cima, coroa para baixo e coroa para a esquerda — idênticas. Contra os cinco segundos de dispersão da fábrica, três. Um ganho, em suas próprias palavras, pequeno em utilidade e substancial em termos de ajuste. E o fecho, que é a coisa mais honesta que já se escreveu sobre isso: “como exercício de ofício — e algumas vezes bruxaria— é muito satisfatório; como questão prática, não se paga; depois da próxima limpeza, tudo terá de ser feito de novo; e, no meio do caminho, uma pancada (no relógio) pode desfazer o trabalho inteiro, distorcendo a espiral”.

Uma nota que vale para quem for medir a marcha do próprio relógio em casa: durante o ajuste, a marcha absoluta é o dado menos importante. O que interessa é a dispersão entre posições e entre estados de corda (os chamados “delta”). O valor absoluto se resolve em trinta segundos com a raquete, no fim, e, na prática, ainda precisa ser corrigido pelo erro pessoal do usuário — o modo particular como cada um usa o relógio, que faz o mesmo movimento entregar marchas diferentes em pulsos diferentes. Odets conta o caso de um médico cuja vida inteira o relógio funcionou bem e que só atrasava nos dias de curso de educação continuada. Ele atribuía o desvio à impaciência. A explicação era que, nesses dias, ele passava oito horas com o braço apoiado na mesa, o relógio em coroa para a direita, a única posição para a qual aquele calibre não havia sido ajustado.

Uma parte considerável da literatura que citei aqui descreve operações que a indústria hoje simplesmente não faz mais — não por preguiça, mas porque a montagem industrial resolveu o problema antes que ele aparecesse.

Na produção artesanal, a espiral é presa à virola por um pino, e essa fixação introduz uma dobra na primeira curva, com todas as consequências geométricas que Grossmann descreveu. Na produção industrial contemporânea, ela é soldada a laser, sem dobra, com a curva ótima já formada. As curvas terminais, quando existem, são conformadas por processo industrial, não por pinça. O ponto pesado do balanço é localizado e corrigido por máquina. Os conjuntos balanço-espiral chegam à linha de montagem como uma unidade única já cronometrada — Odets já observava, em 2002, que a fábrica e a assistência autorizada instalavam balanços computadorizadamente cronometrados. Em relógios recentes há inclusive sistemas que agem diretamente sobre a espiral, permitindo corrigir centralidade e concentricidade sem desmontar o balanço, recurso que nasceu em movimentos simples da ETA.

O patamar médio de precisão subiu muito nas últimas décadas, em virtude da evolução dos métodos de produção, com materiais mais avançados, tolerâncias mais rígidas e regulagens padronizadas que podem ser feitas por robôs. Calibres baratos de hoje entregam desempenho superior ao de peças caras de 1960. Porém, boa parte do repertório de ajuste posicional descrito por De Carle tornou-se ou desnecessário, porque o defeito não é mais introduzido na montagem, ou impraticável, porque não há o que ajustar: numa espiral de silício com geometria litografada e sem regulador, o ponto de fixação e o vão dos pinos deixam de ser variáveis.

Porém, nem toda resposta ao problema das posições veio dessa modernização da produção e novos materiais. Existe uma solução de projeto anterior a tudo isso, e que continua sendo a mais radical: o turbilhão. Sua função é tirar a média dos erros nas posições verticais. Girando continuamente o conjunto balanço-espiral em torno do centro de rotação, os erros verticais se compensam automaticamente. É a admissão de que os defeitos são inevitáveis e que se toma a decisão de distribuí-los no tempo em vez de combatê-los na espiral.

Chego ao ponto que motivou este texto, e que espero que a esta altura já esteja evidente.

De Carle, ao encerrar o capítulo sobre erros posicionais, avisa ao relojoeiro que a decisão de ajustar não depende só do tempo disponível ou do valor da peça, mas de outra coisa: é preciso decidir se aquele relógio é capaz de responder a um ajuste posicional. E acrescenta: “nem todos os relógios são capazes.”

Passarelli chega à mesma conclusão. Relógios de alta qualidade são capazes de boa precisão até sem ajuste, porque já saem de fábrica com excelente concentricidade, planicidade e centralidade. Mas “um relógio de baixa qualidade não pode ser ajustado”, e qualquer tentativa será em vão. A pergunta que ele faz em seguida é a que eu gostaria que todo hobbista tivesse em mente: como esperar boa estabilidade entre posições se o relógio não é capaz de ter marcha estável numa mesma posição, em momentos diferentes?

Essa é a razão pela qual a inscrição no movimento significa algo. Ajuste custa mão de obra qualificada e equipamento caro, e é economicamente absurdo aplicá-lo a um mecanismo que não tenha qualidade para sustentá-lo. Dizer que um relógio foi ajustado é, portanto, um indicativo indireto de qualidade — não porque a inscrição seja um selo, mas porque o cálculo econômico só fecha em cima de peças que valham o trabalho. E, diferentemente da regulagem, o ajuste é relativamente definitivo: um relógio bem ajustado, bem cuidado, fornece anos ou décadas de bom desempenho sem reajuste, precisando apenas de acertos de marcha a cada revisão.

O relógio mecânico é, como instrumento de medida, obsoleto há quase sessenta anos. Os concursos de cronometria que sustentaram tecnicamente tudo o que descrevi aqui morreram junto: Neuchâtel e Genebra suspensos no fim dos anos 1960, quando o Beta 1 a quartzo obliterou todos os mecânicos e, depois, a Seiko ocupou sete das dez primeiras colocações; as competições extintas em 1972 sob pressão da indústria suíça, com a alegação conveniente; a tentativa de ressurreição em Le Locle, a partir de 2009, encerrada em 2012, depois de a Tissot com calibres ETA ter batido peças de alta relojoaria e de a última edição ter reunido cinco inscritos, dos quais sobrou um, anônimo por acordo com o fabricante. A precisão deixou de ser símbolo absoluto de qualidade na percepção do consumidor, e a indústria perdeu o interesse em se submeter a esse tipo de teste público.

E, mesmo assim, algumas marcas continuam trabalhando o problema. Não acho isso trivial: é a única coisa que ainda liga a relojoaria contemporânea à tradição cronométrica de que ela vive falando.

A Rolex continua formando curva terminal Breguet nas suas espirais Parachrom — uma operação que a maior parte da indústria abandonou por custo e que resolve, por geometria, parte do problema de “respiração” da espiral que Grossmann e Caspari descreveram. Alguns independentes reconstruíram os dispositivos de força constante que a indústria descartou por questão de espaço: remontoirs d’égalité, fusée e corrente, mecanismos cuja única função é entregar ao escapamento um torque que não depende do estado da corda, atacando o erro de isocronismo na origem em vez de compensá-lo na espiral.

E a Omega, em 2023, fez a coisa mais interessante que se fez nesse terreno em muito tempo. O sistema Spirate, lançado no calibre 9920 do Speedmaster Super Racing, é uma espiral de silício com uma lâmina elástica adicional na volta externa, cuja rigidez pode ser alterada por um came calibrado na ponte do balanço, em incrementos de um décimo de segundo por dia. É preciso ser exato sobre o que ele faz: é um dispositivo de regulagem ultrafina, não de ajuste — resolve o problema do valor absoluto num sistema free sprung que, por definição, não tem raquete. Mas o modo como ele resolve é o que importa. Depois de dois séculos em que a única maneira de agir sobre uma espiral era alterar seu comprimento ativo, alguém voltou a mexer diretamente na elasticidade da mola.

Fico pensando no que sobrou, então, daquela frase gravada na ponte de um movimento antigo. Ela não promete a hora certa. Não promete dois segundos por dia. O que ela afirma é algo mais difícil de vender e mais difícil de falsificar: que alguém olhou aquele mecanismo por tempo suficiente para saber como ele erra. Que mediu as seis posições, com corda cheia e vinte e quatro horas depois, no frio e no calor, e trabalhou para que os erros que não podiam ser eliminados se anulassem uns aos outros.

Da próxima vez que alguém me disser que o relógio dele adianta dois segundos por dia, vou continuar respondendo o mesmo. Não sei se é bom. Mas se ele me mandar seis colunas de números, eu saberei — e é isso, exatamente isso, que aquela inscrição sempre quis dizer.

Fontes consultadas: Walt Odets, “Tweaking the Mark XII”, partes 1, 2.1, 2.2 e 2.3, TimeZone, 2002; Adriano Passarelli, “Horologia para Apressados”; Donald de Carle, “Practical Watch Repairing”; “Theory of Horology” (WOSTEP); documentário do WOSTEP sobre ajuste do conjunto balanço-espiral; documentação histórica sobre o julgamento do H4 pela Board of Longitude.